Usina de etanol com investimento bilionário tem quase 25% da obra concluída em Passo Fundo

Grupo ECB está por trás do projeto de R$ 1,3 bilhão que amplia estratégia de diversificação de atividades com complexo residencial e concessão de aeroportos

Grupo ECB está por trás do projeto de R$ 1,3 bilhão que amplia estratégia de diversificação de atividades com complexo residencial e concessão de aeroportos

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Planta é construída em uma área de 80 hectares e deve iniciar operações no final de 2026

Passo Fundo vive um novo marco no seu desenvolvimento econômico. Em fase avançada de construção, a usina de etanol da Be8 Ethanol já desponta como um dos maiores investimentos privados do Rio Grande do Sul nos últimos anos: R$ 1,3 bilhão. A planta, erguida em uma área de 80 hectares, deve iniciar operações no final de 2026, com capacidade para produzir 210 milhões de litros de etanol por ano, o equivalente a 20% da demanda gaúcha do biocombustível.

A obra, iniciada em julho de 2024, já alcançou cerca de 24,5% de avanço físico. Atualmente, entre 400 e 450 pessoas trabalham no canteiro, número que pode chegar a 1,2 mil no pico da construção, previsto para março de 2026. Ao ser concluída, a planta deve empregar 150 trabalhadores diretos e mais de 450 indiretos, além de movimentar diariamente entre 300 e 400 caminhões.

Além de etanol, a nova usina irá diversificar a produção e abrir oportunidades para diferentes setores. O empreendimento produzirá também glúten vital — insumo nobre utilizado na panificação e hoje 100% importado pelo Brasil —, CO² para bebidas gaseificadas e DDGS, farelo proteico destinado à alimentação animal. Segundo o presidente da Be8, Erasmo Battistella, a unidade representa um salto em inovação:

Não temos na América Latina uma unidade de glúten desse porte, nem no mundo uma planta que reúna todas essas características. Estamos trazendo para Passo Fundo algo inédito, aliado a outros empreendimentos do grupo, sempre com o DNA de inovação e sustentabilidade”, ressaltou.

A flexibilidade é outro diferencial. Embora o projeto parta do processamento de trigo — estimado em mais de 500 mil toneladas anuais, o equivalente a 250 mil hectares de lavouras —, a usina também poderá trabalhar com milho e outros cereais, ampliando as possibilidades de matéria-prima.

A nova usina é vista como uma oportunidade para fortalecer a agricultura de inverno. Com a garantia de um comprador fixo e de grande escala, produtores locais terão estímulo para ampliar a área de plantio de trigo e triticale, agregando valor mesmo a grãos que não atendam ao padrão de panificação.

Economia local

Para que a planta entre em funcionamento, Battistella destacou que a prioridade é investir na economia local para execução da obra.

“Temos feito um esforço enorme para adquirir o máximo possível de materiais e serviços da produção regional. É um investimento bilionário que, ao mesmo tempo em que projeta o futuro, precisa movimentar a cadeia produtiva daqui”, salientou

A expectativa é que, somente com esta usina, o Grupo ECB adicione cerca de R$ 1 bilhão ao seu faturamento anual. A implantação da Be8 Ethanol conta com tecnologia da norte-americana Katzen, responsável por projetos de referência na Europa e no Brasil. Além disso, há cooperação técnica com a Embrapa Trigo e parceria com a Biotrigo Genética para o desenvolvimento de cultivares específicas para a produção de biocombustível. Com isso, o empreendimento insere o Rio Grande do Sul de forma ainda mais sólida no debate global sobre transição energética.

A Be8 Ethanol representa uma continuidade do trabalho iniciado pela usina de biodiesel da Be8, em atuação há mais de uma década. A planta de biodiesel já se destaca pela inovação com o biocombustível BeVant, que pode ser usado até 100% em motores a diesel. Há expectativa, inclusive, de que uma frota movida ao biocombustível se dirija de Passo Fundo a Belém (PA) para a COP30.

Erasmo Battistella

Presidente da Be8, Erasmo Battistella, a unidade representa um salto em inovação | Foto: Ricardo Giusti

Projeto urbanístico amplia atuação do Grupo

A estratégia de diversificação do Grupo ECB avança em outras frentes. Na manhã de quinta-feira (25), jornalistas e autoridades locais foram levados a conhecer os principais empreendimentos, com destaque para o lançamento oficial do Icon ECB, considerado o maior projeto imobiliário do Norte do Estado. O complexo multiuso, em construção no bairro Boqueirão, reúne três torres residenciais, uma torre corporativa padrão “Triple A”, hotel, centro de eventos e um mall, em um terreno de 14 mil m².

Inspirado em cidades como Nova Iorque e São Paulo, o Icon adota o conceito de “cidade caminhável”, com áreas abertas e integração urbana. A entrega está prevista para 2029. A maior torre construída no empreendimento terá 148 metros e promete ser o mais alto edifício residencial do Estado.

Paralelamente, o Instituto Educacional (IE), sob gestão do grupo desde 2022, passa por expansão. Após a revitalização do Edifício Texas, inaugurado em 2024, a instituição terá sua área duplicada com a construção do Edifício Chicago, previsto para 2026. O prédio de 11,2 mil m² abrigará laboratórios, salas de artes, quadra poliesportiva e dois auditórios, incluindo um com capacidade para 500 pessoas.

Conhecido pelo trabalho na produção de biodiesel, com a Be8, o Grupo ECB adota a diversificação como pilar de crescimento. Além da energia renovável, atua na educação, no agronegócio e agora na construção civil, com a criação da construtora CI8, responsável pela execução do Icon ECB.

“Quem não tem projeto não cresce. O Icon é o primeiro passo da nossa construtora própria, criado para garantir qualidade e transparência. Já temos outros investimentos em estudo, mas agora o foco é acelerar essa obra e mostrar nossa capacidade de entrega”, destacou Battistella.

A soma dos empreendimentos — usina de etanol, Icon ECB e expansão do Instituto Educacional — projeta Passo Fundo como protagonista no desenvolvimento regional. O vice-prefeito Volnei Ceolin ressaltou que a prefeitura acompanha o crescimento com investimentos em infraestrutura, novos servidores e planejamento urbano.

“Quando temos uma cidade crescendo, trazendo desenvolvimento, a administração pública tem que acompanhar. Hoje Passo Fundo tem mais de 100 projetos aprovados em andamento. É um desafio positivo, que fortalece também cidades vizinhas como Erechim e Carazinho”, afirmou.

Além de todas as plantas de biocombustíveis e do complexo habitacional, o grupo ECB também concorre às concessões dos aeroportos de Passo Fundo e Santo Ângelo. O leilão acontece na sexta-feira (25), na sede da B3, em São Paulo. O empresário Battistella estará presente para acompanhar o processo.

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