Parâmetro Físico de Qualidade: Turbidez da Água

Para caracterizar uma água são determinados diversos parâmetros, que são indicadores da qualidade da água e se constituem não conformes quando alcançam valores superiores aos estabelecidos para determinado uso. As características físicas, químicas e biológicas da água estão associadas a uma série de processos que ocorrem no corpo hídrico e em sua bacia de drenagem.

Ao se abordar a questão da qualidade da água, é fundamental ter em mente que o meio líquido apresente duas características marcantes, que condicionam, de maneira absoluta, a conformação desta qualidade: capacidade de dissolução e capacidade de transporte.

Os indicadores de qualidade física são cor, turbidez, temperatura, sabor e odor. A turbidez representa os materiais em suspensão, que podem ser organismos microscópicos ou colóides, como silte, argila e outras partículas.

A qualidade requerida está bem definida nas concentrações máximas permitidas para determinadas substâncias, conforme especificado nas Resoluções CONAMA 357/05, 396/08 e 430/2011, que dispõem sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas e superficiais e estabelecem as condições e padrões de lançamento de efluentes. Os principais indicadores da qualidade da água são separados sob os aspectos físicos, químicos e biológicos.

O Ministério da Saúde estabelece que a água produzida e distribuída para o consumo humano deve ser controlada. A legislação define também a quantidade mínima, a frequência em que as amostras de água devem ser coletadas e os limites permitidos.

Turbidez

A turbidez pode ser definida como uma medida do grau de interferência à passagem da luz através do líquido. A alteração à penetração da luz na água decorre na suspensão, sendo expressa por meio de unidades de turbidez (também denominadas unidades de Jackson ou nefelométricas). A turbidez dos corpos d’água é particularmente alta em regiões com solos erosivos, onde a precipitação pluviométrica pode carrear partículas de argila, silte, areia, fragmentos de rocha e óxidos metálicos do solo.

Grande parte das águas de rios brasileiros é naturalmente turva em decorrência das características geológicas das bacias de drenagem, ocorrência de altos índices pluviométricos e uso de práticas agrícolas, muitas vezes inadequadas. Ao contrário da cor, que é causada por substâncias dissolvidas, a turbidez é provocada por partículas em suspensão, sendo, portanto, reduzida por sedimentação.

Lagos e Represas

Em lagos e represas, onde a velocidade de escoamento da água é menor, a turbidez pode ser bastante baixa. Além da ocorrência de origem natural, a turbidez da água pode, também, ser causada por lançamentos de esgotos domésticos ou industriais.

A turbidez natural das águas está, geralmente, compreendida na faixa de 3 a 500 unidades fins de potabilidade; a turbidez deve ser inferior a 1 unidade. Tal restrição fundamenta-se na influência da turbidez nos processos usuais de desinfecção, atuando como escudo aos micro-organismos patogênicos, minimizando a ação do desinfetante.

Um parâmetro não menos importante que está diretamente associado à turbidez é a transparência da água, a qual é usada principalmente no caso de lagos e represas. A transparência é medida mergulhando-se na água um disco de aproximadamente 20 cm de diâmetro (disco de Secchi, em homenagem a seu inventor, um naturalista italiano) e anotando-se a profundidade de desaparecimento. Os lagos turvos apresentam transparências reduzidas, da ordem de poucos centímetros até um metro, enquanto que em lagos cristalinos a transparência pode atingir algumas dezenas de metros.

Brasil – Portaria MS nº 2.914/2011

No Brasil, a recentemente revisada norma de potabilidade da água, Portaria MS nº 2.914/2011, incorpora as preocupações internacionais relacionadas à transmissão de protozoários via abastecimento de água. O padrão de turbidez da água resultante de filtração rápida (tratamento completo ou filtração direta) foi reduzido para 0,5 UT e para água resultante de filtração lenta reduzido para 1,0 UT. Entretanto, o atendimento ao valor máximo permitido de 0,5 e 1,0 UT deverá ser cumprido em metas progressivas ao longo de quatro anos: em 25% das amostras analisadas mensalmente no primeiro ano, até em 95% no quarto ano (sempre com VMP de 1 UT no restante das amostras mensais).

A Portaria nº 2.914/2011 do Ministério da Saúde estabelece ainda o Valor Máximo Permitido de 1,0 UT para água subterrânea pós-filtração ou pré-desinfecção. E em qualquer ponto da rede de distribuição 5,0 UT como padrão organoléptico de potabilidade.

Existem equipamentos específicos para determinação da turbidez na água. Neste manual, apresenta-se a técnica de determinação da turbidez utilizando a metodologia nefelométrica.

Método Nefelométrico

Material necessário
a) turbidímetro com nefelômetro;
b) células de amostras de vidro incolor (quartzo),
c) balão volumétrico de 100 mL;
d) pipeta volumétrica de 5 mL;
e) conjunto de filtração;
f) filtros de membrana de 0,2 µm.

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Reagentes

Água isenta de turbidez:

a) passar água destilada através de um filtro de membrana de 0,02 µm de porosidade. Enxaguar o frasco de coleta pelo menos duas vezes com água filtrada e desprezar os primeiros 200 mL.
Suspensão estoque de turbidez – padrão primário:

Solução I
– Dissolver 1,0 g de sulfato de hidrazina (NH2). H2SO4 em água destilada e diluir a 100 mL em balão volumétrico.
Advertência: sulfato de hidrazina é carcinogênico. Evitar inalação, ingestão e contato com a pele.

Solução II
– Dissolver 10,0g de hexametilenotetramina (CH2)6N4 em água destilada e diluir a 100 mL em balão volumétrico;
– Misturar 5,0 mL da solução I e 5,0 mL da solução II. Deixar em repouso por 24 horas a 25 ± 3º C. A turbidez dessa suspensão é de 4000 UT.
– Transferir a solução-estoque para um frasco de cor âmbar ou outro frasco protegido da luz ultravioleta, para armazenagem. Fazer diluição dessa suspensão-estoque. A suspensão-estoque é estável por um ano quando corretamente armazenada.

Suspensão-padrão de turbidez:

a) diluir 1,0 mL da solução-estoque para 100 mL com água isenta de turbidez. A turbidez desta suspensão é de 40 UT. Preparar diariamente.
Padrões de turbidez diluídos:
a) diluir porções da suspensão-padrão de turbidez com água livre de turbidez de acordo com a faixa de interesse. Preparar diariamente.

Procedimento:
a) calibrar o turbidímetro de acordo com as instruções do fabricante;
b) medida de turbidez menor que 40 UT: agitar a amostra suavemente e esperar até que as bolhas de ar desapareçam e colocá-la na célula de amostra do turbidímetro; fazer a leitura da turbidez diretamente na escala do instrumento ou na curva de calibração apropriada.
c) medida de turbidez acima de 40 UT: diluir a amostra com um ou mais volumes de água isenta de turbidez até que a turbidez da amostra diluída fique entre 30 e 40 UT. Fazer a leitura e multiplicar o resultado pelo fator de diluição.

Cálculo:


Onde:
UT = UTN = Unidade de Turbidez Nefelométrica.
A = Turbidez da amostra diluída.
B = Volume da diluição (mL).
C = Volume da amostra tomado para a diluição.

Exemplo: Uma porção de 10 mL da amostra foi diluída para 50 mL com água isenta de turbidez. Feita a leitura dessa amostra diluída obteve-se 20.

Leia também: O GUIA COMPLETO PARA MEDIÇÃO DE TURBIDEZ NA ÁGUA


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MEDIDOR MULTIPARÂMETRO
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Referência: Manual de Controle da Qualidade da Água para Técnicos que Trabalham em ETAS / Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde. (Funasa) e Manual Prático de Análise de Água / Funasa 4. Ed.

Artigo produzido pelo colaborador técnico da Digital Water.