ANÁLISE DA QUALIDADE DA ÁGUA EM ECOSSISTEMAS LACUSTRES URBANOS NA ESTAÇÃO SECA: UM ESTUDO DE CASO DA LAGOA DO OPAIA EM FORTALEZA, CEARÁ, BRASIL

 

RESUMO

Atualmente, observa-se uma alta taxa de urbanização no entorno dos reservatórios de água, especialmente nos
grandes centros urbanos. Dessa forma, faz-se necessário um monitoramento adequado das águas dos rios e
lagoas que estão contidas no delineamento das cidades, uma vez que as populações mais carecidas fazem uso
dessas águas para fins cotidianos. Assim, este trabalho teve por objetivo principal analisar a qualidade da água
de uma lagoa urbana, localizada na cidade de Fortaleza, Ceará, Brasil. Para isso, determinou-se nove
parâmetros que foram analisados por três meses em quatro pontos de coletas no entorno da lagoa do Opaia:
Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), Oxigênio Dissolvido (OD), pH, Temperatura, Turbidez, Sólidos Totais (ST), Nitrato, Nitrito e Amônia. Além disso, determinou-se o IQACETESB com o intuito de classificar o corpo hídrico, que é bastante utilizado pela população do entorno.

Os resultados apontam que, ao mudar os pontos de coleta da água, a DBO, a Turbidez e a Amônia acabam variando. Ao analisar temporalmente, percebe-se que DBO, OD, Turbidez e Nitrato sofrem alterações significativas. Observou-se também, a correlação entre parâmetros como ST e turbidez. Por fim, o IQACETESB sugere que a água da lagoa esta enquadrada como boa para fins usuais.

PALAVRAS-CHAVE: CETESB, Índice de Qualidade de Água, Lagoa urbana, Semiárido.

 

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INTRODUÇÃO

O estado do Ceará é marcado tipicamente por secas constantes e escassez de recursos hídricos, assim, a água potável
provém de rios, lagos, poços e nascentes, que são submetidas à tratamentos específicos para que possam se enquadrar nos padrões de qualidade aceitáveis para consumo humano. Diante disso, os centros urbanos, industriais e quase que a totalidade das atividades agrícolas se desenvolveram nas proximidades dos mananciais de água (FAO, 2011; MISAGHI et al., 2017).

No entanto, essas fontes de água são expostas a inúmeros poluentes oriundos da difusão de fontes não pontuais e
pontuais, cujo controle e monitoramento é bastante oneroso (EWAID e ABED, 2017). Como exemplo desses
poluentes, dentre outros, tem-se a emissão inadequada de águas residuárias e industriais nos corpos hídricos; o
despejo de resíduos sólidos nos entornos dos lagos e rios; o grande número veemente de barragens nas dependências
dos grandes mananciais e a percolação de produtos químicos utilizados na agricultura (KHAN et al., 2016; WANG et
al., 2016; ZHAI, XIA e ZHANG, 2017).

Portanto, é de suma importante que haja um monitoramento eficiente e eficaz dos recursos hídricos para sua qualidade seja garantida e permaneça dentro de limites aceitáveis para o uso final sustentável. Em geral, para uma avaliação abrangente da qualidade das águas superficiais e subterrâneas, são necessários parâmetros físicos, químicos e biológicos que estabelecerão valores limites que condicionam a saúde pública (OCHUKO et al., 2014; AKTER et al., 2016; EWAID e ABED, 2017; MISAGHI et al., 2017).

O Índice de Qualidade da Água (IQA) é considerado por alguns autores o método mais eficaz para medir a qualidade da água (DOBBIE e DAIL, 2013; YAN et al., 2015). Em 1965, detendo de dez parâmetros usuais, Horton foi o responsável por desenvolver o índice com o intuito de quantificar a qualidade da água. Desde então, este índice tem sido constantemente modificado por estudiosos da área de acordo com as condições locais (TERRADO et al., 2010; MASSOUD, 2012). De acordo com Akter et al. (2016), para determinar o método do IQA segue três passos, começando pela seleção de parâmetros, depois, determinando a função de qualidade para cada parâmetro e, por fim, agregando-os por meio de uma equação matemática. Dobbie e Dail (2013) acrescentam um outro passo, que é a avaliação da sensibilidade do índice.

Comumente, o IQA é determinado baseado em alguns parâmetros: oxigênio dissolvido (OD), nitrogênio total,
temperatura, turbidez, demanda bioquímica de oxigênio (DBO), fósforo, Escherichia Coli, sólidos totais (ST) e pH
(RUBIO-ARIAS et al, 2012; WANDA, MAMBA e MSAGATI, 2013; KANGABAM et al., 2017; WU et al., 2017).
Estes parâmetros compõem o IQA mais usual no Brasil, elaborado pela Companhia de Saneamento Ambiental do
Estado de São Paulo – CETESB (IQACETESB) (PALÁCIO, 2004).

O oxigênio dissolvido é fortemente influenciado por uma combinação de características dos fluxos de substâncias que exigem oxigênio, tais como biomassa de algas, matéria orgânica dissolvida, amônia e sólidos suspensos voláteis
(SANCHÉZ et al., 2007). Além disso, Bailey e Ahmadi (2014) relacionam que os problemas resultantes de
concentrações inadequadas de OD, incluem a mortalidade de organismos aquáticos e a diminuição geral da estética
do fluxo (por exemplo, odor, sabor).

Assim como o fósforo, o nitrogênio é essencial em quantidades ideais nos processos biológicos, porém quando em
quantidades superiores ou inferiores, causam desequilíbrio no meio aquático, como eutrofização do corpo hídrico.
Esgotos inadequados também são responsáveis pelo incremento desses elementos, assim como de E. coli que é um
indicador de contaminação (GRAVES, WAN e FIKE, 2004; CONEJO, 2005).

Autores:
Vicente Elício Porfiro Sales Gonçalves da Silva1 ;
Janaina Pessanha Bomilcar2;
Diego Rocha de Abreu3;
Hugo Leonardo de Brito Buarque4
e Francisco Mauricio de Sa Barreto5
1 Mestrando em Tecnologia e Gestão Ambiental pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Ceará, campus Fortaleza. E-mail: vicenteelicio@gmail.com
2, 3 Engenheiros civil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, campus Fortaleza.
4, 5 Professores do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Gestão Ambiental pelo Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, campus Fortaleza

 

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