Fórmulas de hipoclorito, cloro gasoso e conformidade com a Portaria 888
A cloração é a etapa de desinfecção mais utilizada no tratamento de água potável no Brasil e no mundo. Corretamente dimensionada, garante a inativação de patógenos e mantém um residual protetor ao longo de toda a rede de distribuição. Mal dimensionada, resulta em riscos sanitários ou formação de trihalometanos (THMs).

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Portaria 888
Limites de conformidade e padronização técnica.
Sumário do Artigo
Formas de cloro e suas características
| Forma de cloro | Teor de Cl₂ ativo | Vantagem | Limitação | Aplicação típica |
|---|---|---|---|---|
| Hipoclorito de sódio líquido | 10 a 12% | Seguro, fácil dosagem | Degrada com o tempo e calor | ETAs de pequeno/médio porte |
| Hipoclorito de cálcio | 65 a 70% | Estável, fácil armazenamento | Dissolução necessária | ETAs rurais e pequenas |
| Cloro gasoso | 99,5% | Mais barato por kg de Cl₂ | Perigoso, exige sistema especial | ETAs de grande porte |
| Dióxido de cloro (ClO₂) | Eq. ~2,5x Cl₂ | Não forma THMs, age em pH alto | Produção local necessária | ETAs com problema de THMs |
Como calcular a dosagem de cloro
A dosagem de cloro é determinada pela demanda de cloro da água mais o residual desejado na saída da ETA:
FÓRMULA FUNDAMENTAL
Dosagem (mg/L) = Demanda de Cloro (mg/L) + Residual Desejado (mg/L)
• Demanda de Cloro = quantidade consumida pela reação com matéria orgânica, amônia, ferro, manganês e outros redutores
• Residual Desejado = 0,5 a 2,0 mg/L de cloro livre na saída da ETA (Portaria 888)
A demanda de cloro é determinada empiricamente pelo breakpoint chlorination test.
Para calcular a vazão necessária da bomba dosadora
CÁLCULO DE VAZÃO DA BOMBA DOSADORA
Q_bomba (L/h) = [Dosagem (mg/L) × Q_água (m³/h) × 1000] / [Concentração_produto (mg/L)]
Exemplo Prático:
- Dosagem: 2,0 mg/L de Cl₂
- Vazão da ETA: 100 m³/h
- Hipoclorito 12% = 120.000 mg/L de Cl₂ ativo
- Q_bomba = (2,0 × 100 × 1000) / 120.000 = 1,67 L/h
Limites regulatórios — Portaria GM/MS 888/2021
| Parâmetro | Limite mínimo | Limite máximo | Referência normativa |
|---|---|---|---|
| Cloro residual livre — rede | 0,2 mg/L | 2,0 mg/L | Art. 39 |
| Cloro residual combinado — rede | 2,0 mg/L | — | Art. 39 |
| Trihalometanos totais (THMs) | — | 0,1 mg/L | Anexo VII |
| Haloacetatos totais (HAAs) | — | 0,08 mg/L | Anexo VII |
| Cloro residual — captação | 0,5 mg/L | — | Art. 40 |
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A Calculadora de Dosagem do Digital Water calcula automaticamente a vazão necessária da bomba com base na concentração do produto comercial e na dosagem alvo. Resultado com memória de cálculo em PDF.
Por que o cloro livre residual cai ao longo da rede?
O cloro residual é consumido ao longo da rede por:
- Reação com matéria orgânica dissolvida na água (demanda da rede);
- Reação com biofilme nas paredes das tubulações;
- Reação com materiais das tubulações (ex: ferro fundido);
- Decomposição fotoquímica em ramais expostos ao sol;
- Reação com amônia residual formando cloraminas.
O monitoramento do cloro residual em pontos estratégicos da rede é obrigatório pela Portaria 888 e essencial para garantir a segurança da água.
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